Opinião

 

A RMR e as águas

   Até o final dos anos 70, o Recife vivia sob a forte ameaça das grandes cheias. A nossa abundância hídrica era tema de poemas de escritores conhecidos, como Carlos Pena Filho e Ascenso Ferreira. Por causa dessa abundância, bairros ganharam nomes como Várzea, Afogados entre outros. 
  
Os imóveis tinham maior valor econômico, quando eram situados em áreas onde não ocorriam os alagamentos. Desde o ano de 1975, ano da última grande cheia, a região metropolitana passa por um processo de empobrecimento dos seus recursos hídricos. Começa então, o Recife, a se tornar parte integrante de um triste cenário de falta d'água, antes restrito apenas ao sertão do estado. É importante salientar que os índices de precipitação pluviométrica dentro da década de 90, tornaram-se notadamente inferiores em relação a períodos passados, em virtude do fenômeno conhecido como "El Niño". 
   A falta de planejamento por parte dos órgãos governamentais e empresas responsáveis pelo gerenciamento desses recursos, somada ao crescimento populacional (esperado) para a região, deixou a população num estado de calamidade social, na qual, hoje, a cidade depende da perfuração de poços, carros pipa, cacimbas, cisternas etc. É evidente que o uso destas soluções paliativas por parte da população, não retira do governo, a sua obrigação de fornecer abastecimento eficiente à população. Mas como poderíamos imaginar a nossa cidade vivendo hoje, sem o abastecimento que é feito por poços particulares? Estes poços, hoje, são num número aproximado de três mil e fornecem uma vazão estimada de 60 a 90 mil metros cúbicos por dia, atendendo a um número de habitantes que gira em torno dos 350 mil. Apesar disto, ainda existem taxas, formulários e inúmeras dificuldades à ação da população, no que diz respeito ao seu "auto-abastecimento". 
   É preciso que o poder público crie mecanismos para a otimização do gerenciamentos dos nossos recursos hídricos por meio de perfuração de poços, não esquecendo de sua obrigação social de fornecer abastecimento de qualidade à população.

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